quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

TRAIÇÃO


Meu coração me suplicou: “Dá-me alforria”,
para te amar a qualquer tempo, sem medida.
Eu quis retê-lo... Foi mais forte... E à revelia,
ele se foi.. Fiquei sem prumo, desvalida,

pois para ti, eu sei, amar é alegoria,
dura tão pouco quanto o samba na avenida...
Há quem se entregue, na tristeza e na alegria
e viva o amor com devoção, por toda a vida,

mas há quem seja qual pierrô apaixonado,
que à colombina traz um triste e amaro fado...
E torna eterna a rima insana: amor e dor.

Meu coração voltou, tristonho... Em mil pedaços...
Meu coração... Ou eu, que anseio teus abraços
e me traí, ao crer em juras sem valor?

- Patricia Neme -


(tema da semana do Prosas em versos)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

VIRÁS?



Ano após ano, os dias perdem-se na estrada,
na qual o tempo enterra dores e ilusão.
A cada passo, menos resta da jornada...
O quanto mais? Nem mesmo os anjos nos dirão.

A primavera do sonhar... Já é passada...
Bem longe vai o sol fremente do verão.
O outono, aos poucos, finda sua caminhada...
Eis que é inverno... Ele e a nefanda solidão!

Sinto que rondas meu viver, em pensamento,
mas não te achegas... E reténs teu sentimento...
Eu te contemplo... Nada mais posso fazer.

Eu te contemplo, te desejo... Vivo à espera...
Já o tenho feito em cada vida, era após era...
Se tu virás... Antes do meu adormecer?

- Patricia Neme -

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DESALENTO


Em cada verso, esgarço minhas veias,
rasgo minh’alma, sangro o coração;
quero exaurir o quanto me permeias...
Ou perco o rumo e a lúcida razão.

Um só olhar... E já me desnorteias...
Um teu sorriso... Acende-me a paixão...
Tuas palavras tecem densas teias
onde me enredo e perco a paz e o chão!

Como expulsar-te das minhas entranhas,
se eu mesma vivo a me propor barganhas...
Te alijo em rimas... E sonho te amar.

Cada soneto é um grito de saudade,
do amor intenso que meu ser invade...
E anseia, tanto... Por fim, te olvidar!

- Patricia Neme -

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

INVERDADE...


Mentira, eis o que foste... Em verso e prosa...
Palavras sem sentido, sem verdade;
foste a promessa vã, oca, insidiosa...
Foste a razão da minha insanidade!

Eu, tola, acreditei... Crença impiedosa,
pois deu-me de beber dor e saudade.
Por ti, fui flor maior, vesti-me em rosa...
Que desfolhaste, isento de piedade.

Por que te cri, por que tanta inocência?
Austera solidão... Alma em carência?
No verbo falso eu vi jura eternal.

Que herança tão amarga me deixaste...
Porém, também a ti te condenaste,
pois sabes que és, por sempre, vil metal!

- Patricia Neme -


(brincando no Facebook na Comunidade PROSAS EM VERSOS, onde semanalmente focaremos um tema. Começamos com MENTIRA... E isso dá "pano pra manga...)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

É sempre assim...




A cada vez que penso, vais chegar,
te anseio, qual o sol espera o dia;
rebordo-me com raios de luar
e furto, à noite, os ares de magia.

E mil estrelas guardo em meu olhar,
meu corpo vibra em louca sinfonia...
Aquela, que renasce ao teu tocar...
Quando o desejo, em fúria, se anuncia!

A cada vez que penso, vais chegar,
te oferto o lugar santo em meu altar...
Te oferto o infindo amor que existe em mim.

Porém... Tola ilusão, tu não regressas...
Retornam só as vãs e vis promessas...
Eu fico a te esperar... É sempre assim!

- Patricia Neme -

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SONDA-ME




(Sl. 139)


Senhor, Tu sondas os caminhos dos meus passos,
meus pensamentos, meu dormir, meu levantar;
antes que eu fosse, já sabias dos meus traços,
pois me teceste com as mãos do Teu sonhar.

Estás comigo na amargura dos fracassos,
em dias negros e nas noites sem luar;
quando a ventura me aconchega nos Seus braços
e a paz habita entre as paredes do meu lar.

Tu me conheces, tu me sondas, desde o nada,
Teus olhos velam pelo chão da minha estrada,
Tu me conheces, alma, corpo, coração.

Sonda-me, Deus, e se eu guardar qualquer vaidade,
guia meus passos às moradas da humildade,
pra que eu renasça no forjar da Tua unção.

- Patricia Neme –
(in O LIVRO DA INTIMIDADE)

sábado, 21 de janeiro de 2012

SILÊNCIO...


Serena, dor, serena teu lamento,
as flores não verão a primavera.
A terra é morta... Já não tem alento...
Morreu pela tristeza que há na espera.

Serena, dor, abafa o teu tormento...
Não vês? A jura foi vã, insincera...
Entrega-te ao torpor do esquecimento;
e entende: o amor é só tola quimera.

Os sonhos? Joga ao vento e dize adeus,
só guarda os passos dos caminhos teus...
E segue, mesmo além da tua vontade.

Serena, dor, serena, eis que amanhece...
Contempla o que o destino te oferece...
E apaga os rastros fundos da saudade.

- Patricia Neme -

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

DAS REPOSTAS




Quando Deus diz sim aos nossos desejos, determina a um de seus anjos trazer-nos a resposta, que nos pode chegar de tantas formas...
Como rosas brancas, pequeninas, incrustradas num coração verde, que em vinte e quatro horas cruzaram dois mil quilômetros e me chegaram exalando um perfume divino, mesmo um pouco amassadinhas pelo envelope.

Aos dois anos e meio, fiz o pedido; foi longa a espera e acreditei não ter sido merecedora ; mas esqueci-me que o tempo de Deus, não é o meu tempo tão restrito, tão limitado e que o meu sonho/milagre, está além desta Linha de Tempo humana; está no Tempo Maior.

Quando Deus diz sim aos nossos sonhos, Ele não os restringe ao momento: Deus age no plano da Eternidade.

E isso é tão maior que o brincar do sol com a lua.

Ao anjo, eu agradeço.

A você, com quem bailo entre estrelas, eu amo.

Paz em Deus.

- PAT -