segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ACALMA...




Serena, dor, serena teu lamento,
as flores não verão a primavera.
A terra é morta... Já não tem alento...
Morreu pela tristeza que há na espera.

Serena, dor, abafa o teu tormento...
Não vês? A jura foi vã, insincera...
Entrega-te ao torpor do esquecimento;
e entende: o amor é só tola quimera.

Os sonhos? Joga ao vento e dize adeus,
só guarda os passos dos caminhos teus...
E segue, mesmo além da tua vontade.

Serena, dor, serena, eis que amanhece...
Contempla o que o destino te oferece...
E apaga os rastros fundos da saudade.

- Patricia Neme -

1 comentários:

  1. Lindo soneto! A dor espezinha, fere e mata, mas é feito o limão , resulta numa boa limonada nos veios de tanta poesia que auréola a sua alma de poeta. Assim, a dor torna-se a argamassa na mão do oleiro.
    Beijo, querida!
    Genaura Tormin

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