Serena, dor, serena teu lamento,
as flores não verão a primavera.
A terra é morta... Já não tem alento...
Morreu pela tristeza que há na espera.
Serena, dor, abafa o teu tormento...
Não vês? A jura foi vã, insincera...
Entrega-te ao torpor do esquecimento;
e entende: o amor é só tola quimera.
Os sonhos? Joga ao vento e dize adeus,
só guarda os passos dos caminhos teus...
E segue, mesmo além da tua vontade.
Serena, dor, serena, eis que amanhece...
Contempla o que o destino te oferece...
E apaga os rastros fundos da saudade.
- Patricia Neme -

Lindo soneto! A dor espezinha, fere e mata, mas é feito o limão , resulta numa boa limonada nos veios de tanta poesia que auréola a sua alma de poeta. Assim, a dor torna-se a argamassa na mão do oleiro.
ResponderExcluirBeijo, querida!
Genaura Tormin