sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

POR FAVOR...


Ano que finda, que fiquem contigo,
tristeza, pranto... Rastros do sofrer.
A ausência amarga de quem me é amigo,
que foi pra longe, pra não mais volver.

Guarda também esse vazio antigo...
Que consumiu com todo o meu querer,
e me deixou em eternal castigo:
amar - de um tanto... E não poder dizer!

Leva o que aflige o povo brasileiro,
leva as mazelas do planeta inteiro...
O que nos trouxe dor e solidão.

Deixa que venha um ano mais sereno,
onde o viver seja gentil, ameno...
E a paz repouse em cada coração!

- PAT -

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

MISERERE


Deo, miserere, dá-me a liberdade,
solta minh’alma, presa, devastada
pelo espinheiro, fruto da saudade...
Pela saudade, vivo encarcerada.

Pela saudade? Não, não é verdade...
É pelo amor, que me tem relegada
ao abandono, ausência... Insanidade...
É pela dor de não ser, mais, amada.

Deo, miserere, tudo é negro e denso,
tanto sofrer, tão grande... Tão imenso...
Ao meu redor, muros de solidão.

E ele me ronda, eu sei, vem sorrateiro...
Ouve o meu canto, triste e derradeiro...
Por que me ausenta do seu coração?

- Patricia Neme -

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NATAL É SAUDADE!


Cada Natal, meu coração aperta...
Lembro da mãe... E me perco em saudade.
Mulher guerreira, de alma plena, aberta
para guardar, em si, a humanidade.

Vida sofrida, de ventura incerta,
vida de entrega, de amor e humildade.
De Deus não teve a graça que liberta
e padeceu, sem dó e sem piedade.

Mas contemplava os céus com olhar terno...
Como a dizer àqu'Ele que é eterno,
que Lhe ofertava todo o seu perdão.

Que Lhe era grata por cada momento,
mesmo profundo fosse o sofrimento...
Ela O acolhia no seu coração.

- PAT -

Feliz Natal, Mãe!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NATAL?


NATAL, quem profanou o teu sentido,
tornando-te uma feira de ilusão,
quando há fartura ao que foi bem nascido
e ao simples falta a dádiva de um pão?

Por que Papai Noel vive escondido
dos sonhos das crianças do sertão?
E não contempla o povo mais sofrido,
que espera, implora... E o fado só diz “não”?

Luzinhas coloridas, mil presentes...
O que ilumina a vida dos carentes
e os faz acreditar que haja amanhã?

Nasceu Jesus! Coitado do menino,
que nasce em meio a tanto desatino
dessa cultura hostil, cruel, pagã!

- Patricia Neme -

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ANJO DO BILHETE


Amigos,

há muitos anos recebi a mensagem que reproduzo abaixo; sensibilizou-me de tal forma que, a partir de então, esteja eu onde estiver, sempre que sinto necessidade de agradecer, digo em voz alta: ANJO DO BILHETE! E ele me entende.
Já houve vez, bem mais que uma, de em plena rua eu dizer: Faz um outodoor!, pois um bilhete seria por demais pequeno.
Algumas pessoas já me olharam como se eu fosse digna de uma camisa de força; sempre se imagina que só podemos falar com seres visíveis... (poucos lembram da frase "o essencial, é invisível aos olhos").
Hoje, um amigo reenviou-me o texto e senti vontade de deixá-lo aqui; quem sabe, vocês também queiram participar da minha loucura, e aumentamos a sala e propiciamos companhia ao anjo solitário?

É muito triste ser só...



"Sonhei que fui pro céu e um anjo estava me mostrando o lugar. Caminhávamos lado a lado por um "escritório" cheio de anjos. Meu anjo-da-guarda parou em frente à primeira seção e me disse: - Essa é a seção dos Recebimentos. Aqui, todos os pedidos a Deus em oração são recebidos."

Olhei ao redor e estava tudo muito movimentado, com muitos anjos selecionando pedidos em volumosas folhas de papel e recados de gente do mundo todo.
E aí continuamos a descer por um longo corredor até chegarmos na segunda seção.

Então o anjo me disse: - Essa é a seção de Empacotamento e Entregas. Aqui, as graças e bênçãos pedidas pelas pessoas são processadas e entregues aos que as pediram.

Percebi como, novamente, o lugar estava. Havia muitos anjos trabalhando naquela seção, pois várias bênçãos estavam a ser empacotadas para a entrega na Terra.

Finalmente, bem distante, no fim daquele corredor paramos em frente à uma porta. Para minha surpresa, havia somente um anjo sentado ali, sem fazer nada. - Essa é a seção do Reconhecimento, disse-me o anjo, parecendo envergonhado.

- Como assim não há nenhum trabalho sendo desempenhado aqui?, perguntei.

- É mesmo muito triste, o anjo suspirou. Depois que recebem as bênçãos que pediram, poucos retornam para o reconhecimento..."

x x x

Beijo procês.
PAT

domingo, 11 de dezembro de 2011

OBSESSÃO



Minh’alma peregrina num chão constelado
por gotas pequeninas dos sonhares meus...
Percorre cada sonho e em cada passo dado,
revive a dor maior contida em teu adeus.

Por mais voltas eu dê, estás sempre ao meu lado...
Quando eu me penso em mim... Estou nos braços teus.
Replanto-me em futuro e nasço no passado...
Que voltes para mim... É o que mais peço a Deus!

Eu sei, eu não devia, foi tua a partida...
Então, por que me rondas, de forma aguerrida,
quer quando raia o sol, quer seja anoitecer?

Por que te assenhoraste da paz dos meus dias,
por que sempre te encontro pelas cercanias
das sendas que percorro, para te esquecer?

- Patricia Neme -

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FALSIDADE


Eu te cri tão maior que um quase nada...
Em ti pensei caráter... Coisa rara...
Mas te perdeste pela encruzilhada
do verbo de quem fala e oculta a cara!

Julguei-te de postura equilibrada,
lisura incomparável, reta, clara...
Mas teu pensar perdeu-se na enxurrada
de mentes onde a intriga faz seara.

Que pena, que tu sejas tanto engano...
Que pena, foste tão, tão leviano...
Que triste, sejas fraco, oco, imaturo!

Eu quase acreditei, fosses verdade...
Quis crer tivesses sensibilidade...
Mas sei-te, agora, vil, parco e perjuro!

- Patricia Neme -

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DEUS!



Esse meu Deus, que eu amo tanto e não entendo,
que me conduz pelas veredas do infinito,
onde transponho o meu limite e me desvendo
ante mim mesma, ante o que sou... Qual foi escrito...

Senhor dos dias... Do que é bom... Do que é horrendo...
Que me ama em êxtase; ou em meu passo proscrito;
seja eu um trapo, vil retalho, vão remendo...
Quando agradeço ou, revoltada, em ira, grito...

Deus, que eu não sei porque dá morte aos meus amados...
Por que sonhei... E os sonhos foram tão truncados?
Mas És meu Deus e eu Te amo tanto, meu Senhor...

Eu não Te entendo, eu não me entendo... O que é a vida?
Fala comigo, me responde... Ando aturdida...
Me conta, enfim, por que viver, traz tanta dor!

- Patricia Neme -